Você ouve um chiado, um apito ou um zumbido que ninguém mais escuta e quer saber de onde ele vem e se tem tratamento. Este texto explica o que pode causar o zumbido, como ele é investigado e o que o tratamento realmente busca.
O que é o zumbido
Zumbido é a percepção de um som nos ouvidos ou na cabeça sem que exista uma fonte sonora do lado de fora. Ele pode soar como chiado, apito, clique, pulsação ou outros ruídos. É uma queixa comum e pode aparecer em qualquer fase da vida.
O ponto mais importante é este: o zumbido é um sintoma, e não uma doença única. Por isso a avaliação procura a causa por trás dele, e não apenas o som em si.
Quais são as possíveis causas
As causas são variadas. Para facilitar, costumamos dividi-las em três grupos.
- Relacionadas ao ouvido: perda auditiva ligada à idade ou à exposição a ruído, acúmulo de cera no canal do ouvido, infecções ou inflamações, problemas na tuba auditiva (o canal que liga o ouvido ao fundo do nariz) e doença de Ménière, que também causa tontura e perda de audição.
- Vasculares: alterações nos vasos sanguíneos próximos ao ouvido e pressão arterial elevada. Tumores de vasos nessa região existem, mas são raros.
- Outras causas: alguns medicamentos que podem afetar a audição, problemas na articulação da mandíbula (ATM), lesões na cabeça ou no pescoço, alterações metabólicas e, raramente, tumores benignos do nervo da audição.
Ansiedade, insônia, estresse e cansaço também podem contribuir e deixar o zumbido mais incômodo.
Por que vale a pena investigar
A investigação tem quatro objetivos. O primeiro é encontrar causas que podem ser tratadas, como cera acumulada ou uma inflamação no ouvido. O segundo é descartar situações que precisam de atenção rápida.
O terceiro é entender o quanto o zumbido afeta o seu sono, o trabalho, a concentração e o humor. O quarto é montar um plano de acompanhamento adequado ao seu caso.
Quais exames podem ser pedidos
A audiometria é o exame mais importante na investigação do zumbido. Ela mostra se existe perda auditiva, de que tipo e em que grau. Conforme o resultado, outros testes de audição podem ser solicitados.
Exames de imagem, como ressonância ou tomografia, não são pedidos para todos. Eles costumam ser indicados em situações específicas: zumbido em um ouvido só, zumbido pulsátil (que acompanha os batimentos do coração), audição diferente entre os dois ouvidos ou sintomas neurológicos associados.
Quando há tontura ou vertigem junto com o zumbido, pode ser feita uma avaliação otoneurológica, que testa o equilíbrio. Exames de sangue também podem ajudar, avaliando tireoide, glicose, colesterol e deficiências de vitaminas.
O que esperar da consulta
A consulta começa com perguntas detalhadas sobre o seu zumbido: quando começou, como ele soa, se é de um lado ou dos dois, o que piora e o que alivia. Também conversamos sobre o impacto dele no seu dia a dia.
Em seguida vem o exame físico dos ouvidos, da cabeça e do pescoço. A partir disso, o médico solicita os exames necessários e explica as opções de tratamento. Vale trazer a lista dos remédios que você usa.
Como funciona o tratamento
Na maioria dos casos, não é possível fazer o zumbido desaparecer por completo. Por isso o tratamento não tem como objetivo silenciar o som, mas reduzir o quanto ele incomoda e interfere na sua vida. Quando existe uma causa tratável, ela é tratada.
A base de tudo é a educação e o aconselhamento. Entender o que causa o zumbido e por que ele incomoda costuma diminuir a ansiedade e o medo ligados ao sintoma.
A terapia sonora usa sons suaves, como ruído de fundo ou sons da natureza, para ajudar o cérebro a prestar menos atenção ao zumbido. Se houver perda auditiva, o aparelho auditivo pode fazer parte desse cuidado.
A terapia cognitivo-comportamental, um tipo de acompanhamento psicológico, ensina técnicas de relaxamento e formas de lidar com os pensamentos negativos sobre o som. Quando há ansiedade, depressão ou problemas de sono, eles também são tratados. Em geral, é a combinação dessas estratégias que traz mais benefício.
O que não é recomendado
Alguns tratamentos são muito procurados, mas não são recomendados para o zumbido.
- Antidepressivos, anticonvulsivantes ou outros medicamentos usados especificamente para tratar o zumbido. Eles podem ter lugar quando existe outra condição que os justifique, sempre com indicação médica.
- Suplementos como ginkgo biloba.
- Vitaminas ou produtos naturais vendidos como “cura” para o zumbido.
Expectativas realistas
O zumbido pode continuar com a mesma intensidade e, mesmo assim, a forma como ele afeta a sua vida pode melhorar bastante. Com o tempo, muitas pessoas passam a notá-lo menos, como acontece com o barulho de um ar-condicionado.
O tratamento costuma funcionar melhor quando você participa ativamente e mantém o acompanhamento. O zumbido pode mudar ao longo do tempo, e as consultas de retorno permitem monitorar a audição e ajustar o plano.
Quando procurar o otorrino
Todo zumbido que persiste ou que atrapalha o sono, a concentração ou o humor merece avaliação. Alguns sinais pedem consulta sem demora:
- zumbido em um ouvido só;
- zumbido pulsátil, que acompanha os batimentos do coração;
- zumbido acompanhado de tontura ou vertigem;
- zumbido acompanhado de outros sintomas neurológicos.
Perda súbita de audição é urgência. Se a audição de um ouvido cair de repente, com ou sem zumbido, procure atendimento o quanto antes. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores tendem a ser as chances de recuperação.
Como agendar
Se o zumbido incomoda você, a equipe pode ajudar a investigar a causa e a montar um plano de acompanhamento. O agendamento é feito pelo WhatsApp, com a nossa recepção.
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação médica.
